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Construimóveis: quando a arquitetura vira memória e transforma fotografias em aquarelas que resgatam a lembrança de Passo Fundo

Data: 29 de agosto de 2026

Arquiteto Foguinho levou à feira um trabalho que transforma lembranças, registros fotográficos e edificações históricas em arte, preservando a memória afetiva e cultural da cidade.

Em meio às novidades, tendências e soluções que movimentam a Construimóveis 2026, a arquitetura também se apresenta como instrumento de preservação da história e da memória. A exposição de aquarelas do arquiteto traz para a feira um olhar sensível sobre Passo Fundo, recuperando, por meio da arte, imagens de prédios e espaços que marcaram diferentes períodos da cidade.

O trabalho ultrapassa o valor estético das pinturas. Cada aquarela carrega uma dimensão material e imaterial: registra uma arquitetura que existiu, recupera referências urbanas e preserva memórias afetivas de lugares que, com o passar dos anos, foram modificados ou deixaram de existir.

A relação do arquiteto Luiz Carlos Barbieux de Oliveira, o “Foguinho”, com o desenho começou ainda na infância e ganhou novas possibilidades durante sua atuação como professor de Arquitetura na Universidade de Passo Fundo (UPF), quando desenvolvia trabalhos ligados ao desenho e à representação gráfica.

A partir de uma parceria com professores de História, surgiu a proposta de reproduzir prédios históricos da cidade, experiência que levou o arquiteto a aprofundar o trabalho com aquarelas.

O resultado desse processo também se transformou em livro. Intitulada Aquarelas da Memória, a publicação reúne cerca de cem aquarelas e aproximadamente 250 páginas, resultado de dois anos de pesquisas, escolhas e produção.

Na Construimóveis 2026, esse acervo ganhou espaço para dialogar com o presente e, ao mesmo tempo, convidar o visitante a olhar para o passado. Além de representar edificações, as pinturas ajudam a contar a história da cidade e a preservar aquilo que já não pode ser encontrado fisicamente.

Confira a entrevista:

Como surgiu a ideia de criar um livro de pinturas em aquarela?

A ideia surgiu a partir das aquarelas que comecei a realizar no período em que dava aulas na Universidade de Passo Fundo (UPF). Sempre trabalhei com desenho e representação gráfica na faculdade e sempre gostei de desenhar, desde pequeno.

Foi então que surgiu uma ideia, junto com os professores de História da universidade, de reproduzir prédios históricos e de valor histórico. Comecei a reproduzir, junto com os alunos, alguns desses prédios. Fazíamos caminhadas pela cidade, mostrando as construções históricas. A partir daí, comecei a trabalhar com aquarela.

E como foi essa transposição da fotografia para a pintura?

Comecei a reproduzir fotografias antigas em pinturas, buscando recuperar memórias do passado, de quando eu era menor, quando era criança. Eram espaços que eu vivi e que, muitas vezes, já desapareceram.

Foi um trabalho que comecei em casa, aos poucos, desenvolvendo as pinturas e recuperando essas lembranças.

Quando você percebeu que o trabalho estava grande e robusto o suficiente para virar um livro?

Eu estava pintando as aquarelas, vendo o resultado e pensei: o que vou fazer com elas?

Foi então que surgiu a ideia de mostrar ao Instituto Histórico de Passo Fundo as aquarelas que havia realizado. Mostrei o trabalho e pensamos na possibilidade de fazer um livro futuramente. Para isso, montamos um trabalho conjunto, em parceria com a UPF. Eles gostaram muito da ideia e, assim, demos início ao trabalho do livro.

E como foi esse processo de transformação das pinturas em livro?

Foi um trabalho de aproximadamente dois anos. Foram dois anos de pesquisa, escolha das aquarelas e, nesse período, eu também não parava de desenhar. Chegou um momento em que tivemos que reorganizar o trabalho e aí pensei: vou parar, porque, senão, nunca termino o livro.

Esse trabalho trouxe a satisfação que você imaginava quando começou?

Foi um trabalho muito prazeroso e também me surpreendeu bastante, porque as pessoas gostaram muito. Eu nunca havia pensado em fazer um livro, mas a receptividade foi muito grande, até surpreendente.

Às vezes, a gente não valoriza aquilo que sabe fazer. E as pessoas gostaram do trabalho, principalmente desse resgate histórico.

O livro não é apenas uma reprodução de aquarelas. Ele tem todo esse enfoque de contar em cada imagem, o que era e o que representava naquela época. Porque muita coisa já não existe.

Por isso coloquei o nome de Aquarelas da Memória, porque é algo que nos faz voltar ao passado. Muita coisa desapareceu. Então, a gente tenta contar o que aquelas aquarelas representavam, para que as pessoas possam conhecer a nossa história e também preservar a memória daquilo que já desapareceu.

Para saber mais sobre o trabalho do arquiteto Luiz Carlos Barbieux de Oliveira, o “Foguinho” e suas Aquarelas da Memória, acesse https://lcbofogoaquarelas.com.br/ e conheça em detalhes as obras e os estudos do autor que reconstruiu a cidade vivida ao longo de sua vida e convidando o leitor a refletir sobre a história e o patrimônio cultural de Passo Fundo.

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